terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Adriana Calcanhoto

Eu não gosto de bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos
Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas
o que eu não gosto é de bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até os estetas
Eu não julgo a competência
Eu não ligo para etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades
o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos modos
Não gosto
Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Vinícius de Moraes

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Lá dentro eu posso

É como se eu me encontrasse em um dos belos jardins de Monet me questionando sobre o caminho que escolhi e onde ele vai me levar. Em meio ao colorido das flores e o verde da relva, sentindo a brisa fria tocar meu rosto e esvoaçar meu cabelo. Me perdendo com o movimento das borboletas, andando descalça na grama molhada. Deixando minha mente flutuar e passar de flor em flor, sentir cada cheiro, ver cada tom e cada detalhe de um ideal de perfeição. Dentro de um mundo onde eu posso esquecer qualquer ordem cronológica ou qualquer ceticismo. Nada de preocupações, satisfações ou deveres. Apenas o agora. Basta eu me desligar por um minuto e aqui estou eu de volta, me distraindo com as linhas do meu pensamento. Porque minha mente é o único lugar onde eu ainda sou livre de verdade.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Carlos Drummond de Andrade

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.
Ship Anchor